Por trás da escolha de Eloizo Gomes Afonso Duraes: o Jaguaré que representa mais do que você imagina

Diego Velázquez
By Diego Velázquez
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Eloizo Gomes Afonso Duraes

Bairros industriais de grandes cidades carregam uma invisibilidade peculiar. São territórios de passagem, endereços comerciais, zonas de abastecimento que as pessoas atravessam sem ver. Quando Eloizo Gomes Afonso Duraes instalou uma de suas empresas no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, em julho de 2003, ele poderia ter feito exatamente isso: usar o bairro como endereço e ignorar o que acontecia do lado de fora do portão. Escolheu diferente. E essa escolha mudou a vida de centenas de crianças.

Um bairro, uma decisão

O Jaguaré concentra uma população majoritariamente trabalhadora, com renda limitada e acesso precário a serviços públicos de qualidade. Crianças crescem nesse contexto com talento e curiosidade, mas sem as ferramentas necessárias para desenvolver seu potencial. Eloizio Gomes Afonso Duraes percebeu isso com a nitidez de quem observa de perto, não de quem analisa estatísticas à distância. Em setembro de 2003, dois meses depois de chegar ao bairro, já havia crianças aprendendo informática no espaço que ele disponibilizou.

Não havia planejamento estratégico de dez anos. Havia uma necessidade visível e um empresário disposto a agir sobre ela imediatamente.

Eloizo Gomes Afonso Duraes
Eloizo Gomes Afonso Duraes

Da vizinhança para a Fundação

Em outubro de 2003, a iniciativa ganhou forma jurídica. A Fundação Gentil Afonso Duraes foi registrada com CNPJ próprio, sinalizando que aquilo não seria uma ação passageira. Eloizo Gomes Afonso Duraes estava construindo uma instituição, não fazendo um gesto. Essa distinção é fundamental para entender por que, mais de vinte anos depois, a entidade ainda existe, cresceu para outros estados e continua transformando vidas.

Em 2004, o projeto se expandiu significativamente: reforço escolar em fevereiro, atividades culturais em março, Projeto Sopão em maio e distribuição de cestas básicas em agosto. Cada nova frente respondia a uma necessidade identificada no cotidiano das famílias atendidas, não a uma agenda institucional elaborada em gabinetes distantes da realidade.

O que o Jaguaré ensinou

Há uma lição poderosa na origem geográfica da Fundação Gentil Afonso Duraes. Transformação social não precisa começar em grandes centros de poder ou ser liderada por organizações de alcance nacional. Pode começar num bairro industrial de São Paulo, numa decisão tomada por um empresário que simplesmente se recusou a olhar para o lado. Eloizio Gomes Afonso Duraes transformou o Jaguaré no laboratório de um modelo que alcançaria quatro estados brasileiros e fez isso sem jamais perder a conexão com o território onde tudo começou.

Para as famílias que vivem naquela região, o Jaguaré não é apenas onde moram. É onde Eloizo Gomes Afonso Duraes decidiu que elas importavam.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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