Ricardo Faria entra no top 10 dos bilionários do Brasil: como o império dos ovos chegou a R$ 35,1 bilhões

Margot Bellier
Por Margot Bellier
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Ricardo Faria entra no top 10 dos bilionários do Brasil: como o império dos ovos chegou a R$ 35,1 bilhões

A expansão internacional da Granja Faria mostra como escala, aquisições e participação em empresas podem transformar um negócio brasileiro em uma fortuna bilionária.

A nova lista de bilionários brasileiros da Forbes colocou Ricardo Castellar de Faria entre os dez maiores patrimônios do país, em um dos movimentos de ascensão mais expressivos do ranking de 2026. Aos 51 anos, o empresário aparece com uma fortuna estimada em R$ 35,1 bilhões, contra R$ 19,6 bilhões na edição anterior, avanço de aproximadamente 79%. O salto levou Faria da 21ª para a 10ª posição e consolidou sua presença entre os principais empresários do agronegócio brasileiro.

O caso chama atenção não apenas pelo tamanho da fortuna, mas pela estratégia empresarial que está por trás dela. A Granja Faria deixou de ser uma operação concentrada no mercado brasileiro e passou a construir uma plataforma internacional de produção de ovos, com aquisições nos Estados Unidos e na Europa. A dúvida que surge é justamente o que empreendedores podem aprender com essa trajetória e por que determinados negócios conseguem crescer a ponto de gerar patrimônios bilionários.

Como Ricardo Faria construiu uma fortuna de R$ 35,1 bilhões

Ricardo Faria construiu sua trajetória empresarial a partir do agronegócio, setor que continua tendo participação relevante entre as maiores fortunas brasileiras. A Granja Faria foi criada em 2006 e se transformou, segundo a Forbes, na maior produtora brasileira de ovos comerciais, ovos férteis e pintos de um dia. Atualmente, o grupo emprega cerca de 2.700 pessoas, possui 34 unidades produtoras e fornece aproximadamente 16 milhões de ovos por dia.

O ponto mais importante, porém, está na transformação de uma empresa produtora em uma plataforma de negócios. Em vez de depender exclusivamente do crescimento orgânico, Faria adotou uma estratégia de expansão por aquisições, aumentando rapidamente sua presença geográfica e sua capacidade produtiva. Em 2024, a Global Eggs, estrutura que reúne os negócios de ovos do empresário, comprou a americana Hillandale Farms por US$ 1,1 bilhão. No ano seguinte, avançou na Europa com a aquisição do Grupo Hevo, da Espanha.

Essa estratégia ajuda a explicar por que a fortuna do empresário cresceu muito mais rapidamente do que simplesmente acompanhando a expansão de uma empresa nacional. Ao adquirir companhias já estabelecidas, o grupo incorpora clientes, infraestrutura, equipes, marcas, conhecimento operacional e capacidade produtiva. É uma lógica recorrente em grandes fortunas empresariais: construir uma companhia competitiva e, depois, usar capital e escala para acelerar sua internacionalização.

O que a expansão internacional revela sobre grandes fortunas brasileiras

A entrada de Ricardo Faria no top 10 da Forbes acontece em um momento em que o agronegócio representa uma parcela relevante da riqueza concentrada entre os super-ricos brasileiros. A lista de 2026 reúne 37 bilionários ligados ao setor, com patrimônio conjunto estimado em R$ 207,7 bilhões, equivalente a 11,2% dos R$ 1,862 trilhão acumulados pelos 255 bilionários brasileiros.

O caso de Faria também mostra que a internacionalização pode mudar a escala de um patrimônio empresarial. Em março de 2026, a gestora Warburg Pincus investiu cerca de US$ 1 bilhão na Global Eggs por uma participação minoritária, em uma operação que avaliou a companhia em aproximadamente US$ 8 bilhões segundo a reportagem da Forbes sobre a trajetória do empresário. O aporte não representa simplesmente dinheiro entrando no caixa: ele funciona também como uma validação externa do valor atribuído à plataforma criada pelo grupo.

Para empreendedores, há uma diferença importante entre crescer faturamento e construir valor empresarial. Uma empresa pode aumentar vendas sem necessariamente se tornar muito mais valiosa se não tiver escala, margens, governança, capacidade de expansão e ativos estratégicos. Já companhias capazes de combinar crescimento orgânico com aquisições e capital institucional podem alcançar avaliações muito maiores. A trajetória de Faria ilustra justamente essa transição: o patrimônio pessoal passou a refletir não apenas a operação original da Granja Faria, mas o valor de uma estrutura empresarial cada vez mais internacional.

Por que o caso de Ricardo Faria importa para o Brasil

A ascensão de Faria ajuda a entender uma característica importante da economia brasileira: grandes fortunas continuam sendo construídas em setores tradicionais, mas os maiores patrimônios dependem cada vez mais da capacidade de transformar negócios tradicionais em plataformas de escala. O ranking de 2026 mostra que o país possui 255 bilionários, cujo patrimônio combinado alcança R$ 1,862 trilhão, equivalente a 14,6% do PIB brasileiro de 2025.

Esse cenário também evidencia como o mercado brasileiro pode servir como ponto de partida para empresas que posteriormente buscam crescimento internacional. A produção de alimentos, por exemplo, possui uma característica particularmente relevante: demanda relativamente recorrente e possibilidade de ganhos de escala. Quando uma companhia consegue combinar produção, logística, distribuição, tecnologia, capital e aquisições, o negócio deixa de depender apenas de uma região ou de um mercado consumidor específico.

No caso da Global Eggs, a estratégia já alcançou dezenas de milhões de aves e uma meta de produção de aproximadamente 15 bilhões de ovos em 2026, de acordo com a Forbes. A companhia reúne operações brasileiras e estrangeiras, criando uma estrutura muito maior do que a empresa original fundada por Faria. Para quem acompanha empreendedorismo de alto impacto, a principal lição está menos no setor de ovos e mais na capacidade de identificar um mercado fragmentado, consolidá-lo e buscar liderança em diferentes países.

A história também mostra que grandes fortunas não são necessariamente resultado de uma única grande aposta. Elas podem surgir da combinação de propriedade empresarial, reinvestimento, aquisições, expansão geográfica e valorização de participações ao longo dos anos. A Forbes mostra ainda que Faria não foi apenas um dos empresários que mais aumentaram seu patrimônio em valores absolutos na lista de 2026: ele também foi um dos que mais avançaram posições, saindo do 21º lugar para o décimo.

Para o Brasil, o movimento reforça a importância do agronegócio como gerador de empresas de grande porte e patrimônio privado. Para empreendedores, a trajetória oferece uma perspectiva mais ampla: construir uma grande fortuna empresarial exige criar um ativo que possa crescer muito além da presença inicial de seu fundador. No caso de Ricardo Faria, a transformação de uma empresa brasileira em uma operação internacional mostra como escala e consolidação podem alterar completamente o tamanho de um negócio. É esse processo, mais do que o número estampado no ranking, que ajuda a explicar como uma fortuna de R$ 35,1 bilhões foi construída.

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