Antes de expandir a operação, é preciso entender quanto da capacidade instalada ainda está ociosa 

Margot Bellier
Por Margot Bellier
6 Min de leitura
Márcio Pires de Moraes

Sendo profissional com experiência em análise financeira e composição de custos, Márcio Pires de Moraes indica que, em algumas situações, a melhor solução para um resultado insatisfatório pode não ser o aumento da estrutura. Em muitos casos, a capacidade necessária já está presente na operação, embora seja subutilizada ou distribuída de maneira ineficiente em certas etapas do processo.

A expansão da capacidade operacional por meio do aumento de espaço, de equipamentos ou de pessoal parece a resposta mais direta quando a demanda aumenta. Esse investimento somente será justificado após a capacidade atual ser plenamente aproveitada.

Ao longo do artigo, torna-se mais evidente como identificar a capacidade ociosa que já está presente na operação antes de decidir investir em expansão.

Horas de ociosidade em equipes dimensionadas para o pico são uma oportunidade de melhoria  

De acordo com a visão de Márcio Pires de Moraes, a ociosidade representa um fenômeno que ultrapassa a simples noção de máquina parada. Ademais, sua presença é notada em horários de menor demanda, em equipes dimensionadas para o pico e com ociosidade na maior parte do tempo, bem como em processos que geram espera entre uma etapa e outra.

Para identificá-los, é preciso examinar o fluxo completo da operação, não apenas os indicadores de produção isolados. É possível que um recurso pareça sempre ocupado, mas seja utilizado de maneira inadequada durante a maior parte do tempo disponível.

A realização de um mapeamento do tempo real de uso de cada recurso, e não apenas de sua disponibilidade nominal, costuma revelar diferenças relevantes entre a capacidade que a empresa acredita ter e a capacidade que de fato está sendo aproveitada no dia a dia. De maneira adicional, gargalos específicos também podem distorcer a percepção de capacidade. Quando uma etapa do processo enfrenta dificuldades, o restante da estrutura pode parecer sobrecarregado, mesmo que haja flexibilidade real em outras partes da operação.

Márcio Pires de Moraes
Márcio Pires de Moraes

Em certas circunstâncias, uma equipe de atendimento pode aparentar estar sobrecarregada, quando, na verdade, a questão reside em uma etapa prévia do processo, como a aprovação do pedido ou a liberação de crédito, que retardam todo o procedimento subsequente. Conforme destaca Márcio Pires de Moraes, a resolução desse ponto específico tende a liberar capacidade em toda a cadeia, sem a necessidade de contratação adicional para o atendimento em si.

Reorganização de processos se mostra mais eficaz do que investimentos em expansão física  

Assim como relata Marcio Pires de Moraes, ampliar a estrutura antes de resolver um gargalo apenas aumenta, de modo ineficaz, a capacidade dos pontos que já não são o problema. O gargalo persiste em limitar o resultado, agora com um custo fixo maior, sustentando a mesma limitação.

Esse tipo de investimento, quando mal direcionado, frequentemente gera uma sensação de progresso, pois a empresa cresce em estrutura, sem que essa mudança se traduza em mais capacidade real de entrega ou de resultado financeiro. A redistribuição de recursos e a reorganização de processos, antes de qualquer novo investimento, geralmente resolvem parte relevante da limitação, a um custo muito menor do que o de uma expansão física completa.

Uma simples mudança na escala de trabalho, no turno de determinada área ou na ordem em que as etapas de um processo são executadas, frequentemente restaura a capacidade equivalente à de uma contratação, sem gerar novo custo fixo para a operação.

Oportunidades de crescimento podem ser encontradas sem novos investimentos  

Antes de qualquer expansão, é fundamental identificar onde a capacidade atual está sendo desperdiçada e os motivos por trás disso. A identificação de áreas de ociosidade, gargalos e distribuição de recursos frequentemente revela oportunidades de crescimento que não demandam capital adicional, mas apenas a reorganização dos recursos existentes na operação.

A expansão deve ser feita no momento oportuno, o qual só será identificado após a plena compreensão e aproveitamento da capacidade disponível. É imprescindível compreender que, na ausência dessa etapa, o investimento resolve o sintoma, não a causa do limite de resultado. Adiar uma expansão até o limite da capacidade existente não representa uma interrupção no crescimento. Isso significa adquirir uma base mais sólida, compreendendo exatamente a necessidade do investimento e o seu potencial de gerar o retorno esperado.

Esse tipo de análise, como considera Márcio Pires de Moraes, também altera o discurso interno da empresa sobre crescimento. Em vez de discutir apenas quanto investir, a discussão passa a incluir onde a capacidade já disponível pode ser melhor aproveitada antes de qualquer novo aporte.

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